A vida de Lilian Thuram em 15 fatos

Ruddy Lilian Thuram-Ulien (Foto: L’Equipe)

Ruddy Lilian Thuram-Ulien (Foto: L’Equipe)

Engajado politicamente, Thuram lutou por várias causas e conciliava a atribulada vida pessoal com o futebol. Referência defensiva da brilhante geração francesa dos anos 90, ex-lateral se aposentou em 2008.

Nenê

Nasceu no dia 1º de janeiro de 1972 como Ruddy Lilian Thuram-Ulien em Guadalupe, ilha localizada nas Antilhas Francesas. Se mudou para a França em 1981. Quando criança, jogava bola nas praias e nas ruas de Guadalupe.

A bravura que vem de berço

A mãe de Thuram se mudou para a França para cuidar dele e dos outros quatro irmãos no bairro suburbano de Fontainebleu, em Paris. Ela sustentou os cinco filhos sozinha, já que o marido se separou dela antes da família deixar Guadalupe. Lilian encontrou o pai quando adulto algumas vezes, mas não criou laços afetivos.

A estreia

Fez seu primeiro jogo como profissional pelo Monaco, contra o Toulon, em 24 de maio de 1991. A partida foi válida pela Liga Francesa. Entrou no segundo tempo e jogou 15 minutos. O placar foi de 1-1. O time era treinado por Arsène Wenger.

O primeiro gol

Seu primeiro gol saiu contra o Spartak Moscou, em casa, no dia 24 de novembro de 1993, pela fase de grupos da Liga dos Campeões. O Monaco venceu por 4-1 e Thuram marcou o último.

Foto: The Sports Agenda

Foto: The Sports Agenda

Uma carreira marcante

Em 17 anos como profissional, Thuram conquistou apenas sete títulos por Monaco, Parma, Juventus e Barcelona. Mas teve papel crucial na vitória francesa na Copa do Mundo de 1998 e na Eurocopa de 2000.

Apelido

Formou ao lado de Fabio Cannavaro e Roberto Sensini um trio de zaga incrível no Parma, vice-campeão italiano de 1996-97. Por este período, foi apelidado como “O Gigante de Guadalupe”. Eventualmente, Thuram reencontrou Cannavaro e Buffon na Juventus, na década seguinte.

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Bufunfa

Thuram foi vendido à Juventus em 2001 em uma transação de 40 milhões de euros. Ficou até 2006 no clube, foi bicampeão italiano e saiu após o rebaixamento da Juve para a Serie B.

O jogo da vida

É seguro dizer que a grande atuação de Thuram aconteceu contra a Croácia, nas semifinais da Copa de 1998. Ele foi o autor dos dois gols franceses, por coincidência, seus dois únicos com a camisa de Les Bleus em 14 anos de serviço. O próprio Thuram diz que os lances foram de puro instinto e ele entrou em transe após marcar o segundo, se esquecendo por alguns instantes onde estava e quem era.
O susto

Thuram jogou de 2006 a 2008 pelo Barcelona, mas não era titular absoluto. Se aposentou depois de desmaiar durante exames médicos que constataram um problema cardíaco sério. Naquela altura, ele estava com 36 anos de idade e ia assinar com o Paris Saint-Germain. Anos antes, um de seus irmãos morreu enquanto jogava basquete, com o mesmo defeito no coração.

LilianT             A luta contra o racismo

Thuram sempre se destacou por ter inteligência muito acima da média dos jogadores de futebol. Entre as lutas que ele comprou durante a carreira, está a contra o racismo. Ele virou um ícone de campanhas pela Uefa e se tornou um embaixador oficial da Unicef. Hoje roda pelo mundo como militante do movimento negro. Thuram também foi figura importante nas lutas contra a homofobia ao redor da Europa. O defensor ainda participou de marchas em apoio ao casamento de pessoas do mesmo sexo, pela independência da Catalunha e ainda pediu atenção ao fato de haver recrutamento infantil em guerras civis na África. E não é só isso: o ex-zagueiro ainda apoiou a causa

Thuram x Sarkozy

Em 2005, a França estava em polvorosa durante protestos nas periferias, Thuram saiu em defesa de imigrantes pobres que depredaram ônibus e viaturas policiais nas ruas. À época, Nicolas Sarkozy (presidente da França entre 2007 e 2012) era Ministro do Interior e taxou os protestantes como “escória da sociedade”. Lilian se posicionou publicamente contra o discurso e disse: “Se os protestantes são a escória, eu também sou. Muitas destas crianças nos subúrbios não encontram nenhuma forma de sobreviver e por isso são violentas. Eu não justifico esta violência, mas compreendo a situação“.

Debate na TV

debateEm 2006, Thuram e Sarkozy voltaram a entrar em conflito. Durante um debate na TV aberta francesa, Lilian acusou Sarkozy de usar o medo e a ignorância da população do país a favor de suas causas políticas. Além disso, o jogador culpou Sarkozy por instigar a violência nos subúrbios, discriminando a população mais pobre em suas medidas e discursos. Thuram ainda lembrou que o pai de Sarkozy foi um húngaro refugiado em tempos de guerra que migrou para a França. Por fim, no seu golpe final, o atleta afirmou que se a situação do país durante os protestos de 2006 dependesse de Sarkozy, os subúrbios se destruiriam em chamas.

Desafeto da direita francesa

Em 2005, o presidente da Frente Nacional de Direita da França, Jean-Marie Le Pen declarou que Thuram era uma “afronta à França” por ser negro e não ter nascido em território europeu. Outros militantes do partido afirmaram que Lilian era no mínimo hipócrita por defender os mais pobres e estar na posição de futebolista milionário que não vive a realidade dos subúrbios.
O sacerdote

Antes de ser convencido a virar jogador profissional pelo Monaco, Thuram vislumbrava ser sacerdote. Para o bem do futebol, ele mudou de ideia aos 19 anos.

No mundo das artes

Até agora, Thuram escreveu cinco livros como autor principal. Foram eles: “Banlieue Noire: Roman”, um romance de 2005 sobre os subúrbios parisienses; “8 juillet 1998”, de 2004, sobre a sua carreira futebolística; “Notre Histoire”, de 2014, uma história em quadrinhos que conta a história da sua família; “Manifeste pour l’egalité”, de 2012, livro no qual discursa sobre igualdade na França; “Mes Étoiles Noires”, de 2010, em uma obra que retrata grandes personalidades negras da humanidade. Também participou de “Les Homos Sortent Du Vestiaire! La Fin Du Tabou de L’Homosexualite Dans Le Sport?”, de 2015, que trata sobre homossexualidade no esporte. Em 2011, Thuram foi curador de uma exposição de arte chamada “Human Zoos: A invenção da selvageria”, que mostrava quadros e fotografias de humanos sendo tratados como animais em exposição, prática muito frequente nos tempos da colonização.

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Fonte: TodoFutebol

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