Apresentam Athletica Vaticana, a primeira associação esportiva do Vaticano

Apresentação de Athletica Vaticana. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

A primeira associação esportiva do Vaticano, Athletica Vaticana, foi apresentada nesta quinta-feira, 10 de janeiro, na Sala de Imprensa da Santa Sé.

Esta foi a primeira coletiva de imprensa em 2019 e a primeira moderada pelo diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti.

A Athletica Vaticana é constituída por funcionários da Santa Sé, homens e mulheres, sacerdotes, religiosos e leigos. Seu presidente é o subsecretário do Pontifício Conselho para a Cultura, Mons. Melchor Sánchez de Toca y Alameda.

Em declarações ao Grupo ACI, o sacerdote disse que “é um momento histórico, embora exista uma tradição de praticar esportes no Vaticano que remonta à época de São Pio X”, mas como “associação criada formalmente no Vaticano é a primeira”.

Em sua opinião, a Athletica Vaticana “nasceu com uma vocação pioneira de abrir um caminho para outras realidades”. Indicou que “a missão desta associação em primeiro lugar é a prática esportiva” e se divertir com isso. “Acho que a diversão é uma dimensão importante que às vezes se perde nos esportes, mas vai além”, disse.

“Também tem propósitos culturais, educacionais e espirituais. Trata-se de levar a mensagem da Igreja através da própria vida e da própria presença como fermento na massa no mundo do atletismo, que é um dos esportes mais populares atualmente, junto com o ciclismo e o futebol, sem a necessidade de grandes discursos, mas com o testemunho da própria vida”, declarou Mons. Sánchez de Toca.

Explicou que a iniciativa surgiu informalmente, mas “a diferença é que agora uma sociedade foi constituída no Vaticano, feita por e para os funcionários do Vaticano” e isso mostra o “interesse da Igreja no esporte”.

Por esta razão, “projetaram uma associação vaticana com a possibilidade de competir na Itália e no resto do mundo. Associação canônica do Estado da Cidade do Vaticano, com o objetivo de “promover a prática esportiva com abertura a uma série de iniciativas solidárias e culturais. Levar uma mensagem, testemunho da vida cristã no mundo dos esportes”, reiterou.

Como exemplo, no campo solidário, a Athletica Vaticana recebeu dois sócios honorários migrantes e membros da cooperativa Auxilium provenientes de Gâmbia e Senegal.

Por sua parte, o Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Cardeal Gianfranco Ravasi, observou durante a apresentação que o esporte se relaciona com “cultura, religião e ética”.

“O esporte autêntico faz parte do ser humano, o jogo”, disse o Purpurado.

Ética no esporte

No entanto, Cardeal Ravasi disse que “é triste ver a violência nos estádios, racismo e doping no esporte”, que mostra uma “degeneração ética, triste, e é isso que queremos evitar”.

Lembrou que o Papa Francisco tem grande sintonia com o esporte e deu o exemplo da carteirinha que ele tem do San Lorenzo de Almagro, seu time de futebol favorito na Argentina; a ocasião em que ele abençoou a equipe de Cricket do Vaticano; e a vez em que utilizou o termo “Atletas de Cristo”.

Finalmente, o Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura explicou que São Domingos de Gusmão foi descrito como “o santo atleta” pelo escritor italiano Dante Alighieri na Divina Comédia.

A Athletica Vaticana assinou um acordo com o Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI) e está prestes a assinar outro com o Comitê Paralímpico Italiano (CIP) e o Comitê Olímpico Internacional (COI).

Estiveram presentes na apresentação o presidente do CONI, Giovanni Malagò, e do CIP, Luca Pancalli, o qual assegurou que “o esporte pode mudar a cultura de um país”.

Em sua cadeira de rodas, Pancalli assinalou que o Comitê Paralímpico Italiano busca não apenas cultivar a participação dos atletas, mas “mudar a percepção de deficiência na sociedade” para promover o valor da diversidade e expressar suas próprias capacidades.

Nesse sentido, Luca Pancalli disse que a nova associação vaticana é histórica porque “o esporte pode mudar a cultura”.

Após a apresentação, Michela Ciprietti, funcionária na farmácia vaticana e atleta, confirmou sua crença de que “o esporte pode ser um testemunho religioso, com objetivos solidários e espirituais” porque “é um meio que anula as diferenças”.

Além disso, explicou que atualmente a Athletica Vaticana é composta por cerca de 60 corredores e que são membros da Gendarmaria do Vaticano, da Guarda Suíça, dos serviços técnicos, da farmácia, leigos e religiosos. Ela lembrou que em setembro correram a ‘Roma Via Pacis’ ao lado de membros da comunidade judaica e muçulmana em Roma.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 201420152016, e 2017 com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui.

Fonte: AciDigital

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