Extinção do Ministério do Esporte divide opiniões

Prédio do Ministério do Esporte – Foto: Reprodução

Sabido que Jair Bolsonaro (PSL) assumirá a presidência da República a partir de 1º de janeiro de 2019, cada setor começa a calcular como serão os próximos anos. No esporte não é diferente, ainda mais pelo fato de o tema não ter sido abordado no plano de governo ou mesmo durante a campanha eleitoral. No plano apresentado por Bolsonaro, o esporte aparece em citações relacionadas à educação e à saúde, com a inclusão de profissionais de educação física no programa Saúde da Família. Em falas soltas, contudo, aliados sinalizaram que o desporto não está entre as prioridades do governo e que há a possibilidade de o Ministério do Esporte se tornar braço de um outro setor, possivelmente o da Educação – viraria Educação, Esporte e Cultura. Tal cenário divide opiniões entre quem não concorda com a perda de espaço e aqueles que acreditam que só espaço não define a qualidade do trabalho a ser realizado.

Entre as vozes contrárias, está o atual ministro do Esporte, Leandro Cruz. “Nesses 16 anos de Ministério do Esporte a gente teve grandes avanços. Saiu de um esporte quase amador no Brasil para hoje ser feito em um nível profissional. A gente corre o risco de ser um grande retrocesso. Espero que o futuro presidente não tenha isso entre seus planos”, disse o ministro, em entrevista à agência Folhapress. Cruz rebateu a tese, defendida por aliados de Bolsonaro, de que a extinção do Ministério do Esporte permitiria uma economia aos cofres públicos. “Não faz sentido. Vai continuar tendo funcionários. Vai continuar tendo que prestar contas aos órgãos de controle. Cada real que sair do MEC para o esporte vai ter que prestar contas. Não vai ser o funcionário que já presta contas do MEC, vai ser um funcionário novo. Na ponta do lápis, é um prejuízo para o esporte brasileiro e não é uma economia para a nação”, argumentou.

Para o secretário executivo de Esportes de Pernambuco, Diego Pérez, a manutenção do Ministério é o cenário ideal. No entanto, acredita que a qualidade dos profissionais que comandarão o setor é o principal aspecto. “Mais espaço gera mais respaldo, a chance de ter mais gente envolvida, verba, mas o que precisa ser bem pensado é o modelo de gestão. Quem vai assumir e o que será feito é o que fará a diferença, mais importante do que ter espaço”, destacou ele. Em janeiro de 2014, a então Secretaria de Esportes do Estado foi extinta e virou uma aba na pasta de Educação, junção que deixou o setor escanteado, embora quando independente também tivesse rendido pouquíssimos frutos. Pouco tempo depois, passou a compor o setor de Turismo, Esporte e Lazer, com ações mais enfáticas. “Avançamos muito nos últimos anos, com novos projetos de incentivo, a reforma do Santos Dumont”, completou o executivo.

A secretária executiva de Esportes da Prefeitura do Recife, que tem projetos ligados ao Ministério, e membro da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Yane Marques, pontua que ainda é cedo para fazer prognósticos acerca da extinção ou não do Ministério do Esporte. “Fui atrás dessa possibilidade, mas não tem nada definido. Virando braço, tem aquela questão de ‘poxa, como ficam os repasses? A porcentagem diminui?’. Mas fica difícil fazer uma leitura sem saber a proposta de fato. Sendo ministério ou secretaria, o principal é saber como será a gestão de trabalho, o orçamento. Pouco a pouco demos passos importantes, sobretudo na prática esportiva para a qualidade de vida, em programas como o PELC (Programa Esporte e Lazer na Cidade) e o Segundo Tempo, a Lei de Incentivo. O esporte como agente transformador cresceu. Se não melhorar, torcemos que pelo menos mantenha o que foi conquistado.”

Histórico

O Esporte passou a ser um ministério em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à Presidência. Desde então, o setor se profissionalizou e teve aumento de receita. Antes, pulou de pasta em pasta, ficando a maior parte da sua história como secretaria na pasta da Educação.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui.

Fonte: Folha PE

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