Vítima de racismo durante jogo, Kevin-Prince Boateng lamenta: ‘Nada mudou, só está escondido’

Boateng em ação pelo Sassuolo Pier Marco Tacca/Getty Images

Há cerca de seis anos, Kevin-Prince Boateng ganhou as manchetes do mundo todo após deixar o campo durante uma partida, sendo acompanhado por seus companheiros de Milan, após ser vítima de racismo em um amistoso contra o Pro Patria. De lá para cá, segundo o jogador, o cenário não mudou muito.

Após o incidente, Boateng foi convidado para integra a recém-criada Força Tarefa Contra o Racismo e a Discriminação da Fifa, mas o ex-jogador da seleção de Gana afirma que seu contato com a entidade maior do futebol mundial já não existe há muito tempo.

Boateng disse que segue em contato com as Nações Unidas que “querem saber o que está acontecendo, se algo mudou, o que eles podem fazer”. Já o silêncio das autoridades do futebol incomoda.

“Eu tive três ou quatro ideias. Expus elas. Conversei com eles sobre isso. Mas no fim do dia, nada aconteceu. Nada mudou. É só a Champions League. Diga ‘Não’ ao Racismo. É isso”, afirmou o jogador em entrevista à ESPN, dizendo que a decepção é muito grande.

“A única coisa que mudou é que o racismo é mais escondido. Não é mais na frente, ou com pessoas cantando, porque eles sabem que vai existir sanção, as pessoas vão ver. Então é apenas um pouco mais escondido. Mas ainda está lá pois você vê os últimos cinco anos e muita coisa aconteceu ainda, e é muito alarmante porque depois de cinco anos nada aconteceu, nada mudou. Isso é triste”, disse.

Um episódio depois da final da Copa da Alemanha, no último mês de maio, trouxe atitudes contra o racismo voltarem ao foco de Boateng.

“Eu disse na Alemanha no último ano: ‘Sinto como se lutássemos mais contra pirotecnia do que contra o racismo’”, contou o jogador que, depois do título do Eintracht Frankfurt sobre o Bayern de Munique, agitou um sinalizador na varanda da prefeitura.

“Alguém chamou a polícia. Como é? Eu senti que realmente estamos lutando mais contra pirotecnia. Nos estádios, se alguém acende um sinalizador, o fiscal fala para você apagar e recebe uma multa de 20 mil euros. Mas se você entoar gritos racistas é como se as pessoas não ouvissem”, disse.

Boateng também disse que segue falando e fazendo alertas nos problemas sociais usando as plataformas que o esporte lhe proporciona. Ele afirma ter grande respeito pelo sacrifício feito por Colin Kaepernick, quarterback que não consegue um time na NFL após ter protestado durante o hino nacional.

“São esses momentos que precisamos. Para (mostrar) contra o que as pessoas estão lutando, eles deixam suas vozes serem ouvidas. Kaepernick deixou milhões (na mesa), anunciantes, Nike… para dizer (o que acreditava). Ele é um herói. Ele é como Muhammad Ali. Ele vai ser conhecido para sempre, e se um dia ele morrer, todos vão lembrar dele”, disse.

“Você precisa deste tipo de pessoa. Você precisa de LeBron James. Você precisa do Golden State (Warriors), que é contra seu presidente. É loucura. Mas eles mostram (suas convicções). Eles dizem: ‘Nós não vamos’. Você precisa destas grandes pessoas para fazer grandes ações, porque do contrário nada vai mudar”, completou.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: ESPN

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